Iluminação
A criação de uma iluminação para espaços não-convencionais exige uma sensibilidade atenta às singularidades do local e da encenação, um acompanhamento cuidadoso da evolução dos processos de criação – característica que propicia as condições necessárias para a concepção deste quesito técnico.
Na montagem de Evangelho para Lei-gos, configurou-se essa tendência de uma iluminação especial, ajustada ao local da representação que influencia diretamente na encenação. Em Amada... as exigências técnicas foram surgindo de forma muito sutil, conforme a linguagem se configurava.
O espetáculo pedia uma fluência de colocação de luz muito discreta para que o foco da ação dramática não fosse perturbado por efeitos inadequados à cena. Assim, para a particularidade de cada ambientação cênica, pesquisou-se procedimentos que colaborassem com a linguagem proposta.
A primeira investida foi construir um “carrinho de luz” com o qual o operador pudesse acompanhar a cena e os atores, onde quer que eles fossem. Neste carrinho foi construída uma estrutura com spots que fariam o papel de canhões seguidores. Este artifício mostrou-se bastante eficaz no trabalho de compensação e equilíbrio de luz, além de mostrar o operador inserido na encenação, revelando os seus procedimentos técnicos.
O segundo ponto estudado, depois de definido o espaço cênico, foi trabalhar com uma luz geral que “lavasse” toda a área de encenação. Com essa proposição de jogo cênico, a concepção de luz adotou climas quentes (lâmpadas incandescentes) e frios (lâmpadas fluorescentes) que ajudaram a definir as mudanças de estados e o discurso de cada cena. A angulação dos equipamentos de luz, as mudanças de intensidade e tamanhos de foco trouxeram à cena leituras estéticas diversificadas fazendo com que o espectador tenha a sua percepção particularizada em função dessas especificidades.
A proposta foi construída em conjunto com o processo de encenação e todas as discussões trouxeram mais e mais reflexões sobre o quê e como iluminar. Optou-se pela inserção do público no espaço cênico; uma luz geral difusa ajudou a incluí-lo na cena. Essa especificidade permitiu tirar os espectadores de seu estado contemplativo e, ao mesmo tempo, possibilitou revelar as suas reações. Logo, eles vêem a cena, se vêem e são vistos pelos atores.




Nenhum comentário:
Postar um comentário