Figurinos



     Como não poderia deixar de ser, os figurinos foram idealizados de acordo com o andamento da pesquisa. Dúvidas, buscas, inquietações.


     As Mariposas – denominação do ateliê de Maria Zuquim e Juliana Napolitano – acompanharam grande parte das experimentações em sala de ensaios, atentas a cada vestígio de propostas materializadas no processo de criação das cenas.

     A cada encontro, uma surpresa, um desenho, uma amostra de tecido, de uma renda... que rendeu beleza, poesia e propostas que ultrapassaram o ato de apenas vestir à personagem.


     Cientes de que a dramaturgia proposta pelo dramaturgo e pelos atores tinha um caráter estilhaçado, As Mariposas trabalharam a partir de uma ótica de coesão, ou seja, imprimiram na concepção dos figurinos elementos que pudessem revelar uma unidade entre as tantas Marias e Amadas representadas pelos intérpretes, com o cuidado de deixar espaço para o espectador tecer essa relação. Assim, bonecas de plásticos de vários tamanhos, formam juntas, outros desenhos: rosas de pedaços de bonecas; barriga postiça recoberta por filhos de plástico; saia em formato de cortina com filhos pendurados...

      No entanto, para as demais figuras da narrativa, outros elementos foram explorados. José, o pedreiro e morador de um barraco, tem sutilmente impresso em suas vestes, vestígios de formas arquitetônicas que ele construiu. Já para as outras figuras que chegam à pátria, o tratamento foi outro. São roupas que esboçam um caráter farsesco, tal qual a relação estabelecida entre nação e estrangeiros.

     Sensibilidade, delicadeza e humor que deram asas à imaginação de “As Mariposas” e de todo o grupo.

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